22 março, 2014

Pacata vida

22 de março de 2014.
Talvez a maioria viva seus dias com a mesma rotina. Acordar, preparar-se, sair para o trabalho, comer, trabalhar mais, voltar para casa, comer, assistir TV aberta, beber, banhar-se, dormir. Preparar o almoço, o jantar, as crianças, comprar o que dá e nem sempre o que se precisa. Conversar com o vizinho, com o colega de trabalho, rir, compartilhar preocupações, chorar. Não, chorar é íntimo. Não se chora na frente de qualquer pessoa.
Filmes mostram a realidade. A realidade que corre lá fora, pelas ruas, becos, bares, quartos. A realidade é loucura que a cada dia cresce mais. Presos, bandidos, traficantes, prostitutas, sequestradores, assaltantes, médicos, advogados, publicitários e quantos mais vivem dias diferentes. Lidam com dor, sofrimento, lágrimas, desejos, sonhos. Vivem o que não vive a maioria da pacata vida. Seu espaço é maior. Também sua malícia, sua maldade, sua esperteza, seus horizontes de pensamento, lógica, raciocínio, planos.
Que louca é a vida. Que louco e mau é o homem.
E nós, os mais simples dos mortais, sim, nós da pacata vida, nem sequer sonhamos com o que há lá fora. Saímos, andamos ao lado, passamos por uns e outros, esbarramos e nem imaginamos o que vivem, o que fazem, o que falam, para onde vão e de onde vem. Se olharmos nos olhos talvez reconheçamos uma aflição, um sofrimento, um desespero, uma tensão, uma maldade, uma raiva. Olhar nos olhos, porém, pode ser perigoso, ameaçador. Pode nos tirar em alguns segundos da rotina. Pode nos envolver em uma história diferente.

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